Olá leitor, tudo bem?

Use os ícones abaixo para compartilhar o conteúdo.
#IMPRESSO

A paixão e o ativismo que correm nas veias do rap

Cena da região é forte, mas não sem suas dificuldades.
Publicidade
curtiu? compartilhe
26.04 2018

Além dos Muros. Música não é simplesmente a união de letra e melodia. É muito mais do que isso. É melodia, letra, alma, amor, suor, trabalho, ideias e tantos outros elementos. Tem gente que leva a música como estilo de vida, tatua na pele, se entrega. Hoje o Bombô dá uma pausa na série sobre profissões para falar sobre o rap. Poucos estilos podem se dar ao luxo de despertar tamanha paixão, tamanha energia.

“Sempre tive pretensão de escrever uma música”, conta Diego Ignácio, que junto com Wesley Sales forma o grupo de rap Além dos Muros. O pai músico influenciou no gosto pela arte, mas o gatilho foi uma situação de preconceito que sofreu. “Escrevi esse som depois desse fato”, conta. A história da dupla vai ao encontro de uma das características do hip-hop: o poder de falar sobre tudo. “O rap pode tratar de qualquer assunto. Tem gente que fala de amor, fala de preconceito, de política”, explica Diego. Para ele, esse é um dos elementos que definiu a aceitação do estilo pelas pessoas. As pessoas sempre acabam se identificando com as letras.

Além dos Muros começou enquanto Wesley era estudante de uma escola pública de Campo Bom e resolveu incorporar o rap à sua realidade. “Começamos fazendo um trabalho na escola, aí partimos levamos ele para outras escolas. Queríamos chegar até os estudantes através de nossa música”, explica. “Mais tarde, quando iniciamos o Além dos Muros, percebemos que precisaríamos criar uma cena na cidade”, explica Diego. Hoje o grupo participa ativamente da cena hip-hop local. “Nosso QG é o Centro Cultural Marcelo Breunig, em Campo Bom. Ali rolam reuniões, shows e batalhas de rap”, explica Wesley. Diego e Wesley seguem com os projetos nas escolas, fomentando a cena na cidade e trabalhando com a Além dos Muros. “Queremos abraçar o máximo de ouvidos possíveis. Queremos atingir desde o jovem até o idoso”, diz Diego. “Percebemos que, nos últimos anos, a cena se fortaleceu. Isso começou quando paramos de ligar para o preconceito. Já cheguei a ouvir ‘quer rap vai rimar em casa’. Mesmo assim continuamos ocupando nossos espaços”, explica Wesley.

Faltando espaço e retorno

Para o produtor Pig, de São Leopoldo, a cena do Vale tem crescido bastante. “Acredito que mais pra frente o Rio Grande do Sul poderá ser uma potência no Brasil”, explica: “Hoje em dia, os MCs movimentam a cena, mas não têm retorno financeiro, mas acredito que isso está começando a mudar.”

“Em São Leopoldo, temos a Batalha de São Hell, um dos movimentos mais importantes da região. Também acontece o Rap Fest São Hell, festa de rap da cidade que abre um bom espaço para grupos novos se apresentarem”, comenta. Mesmo com as batalhas e shows rolando, a cena ainda tem seus percalços.

“O pessoal que trabalha com cultura sabe a dificuldade de conseguir apoio. Os grupos que querem fazer um bom trabalho não encontram muitos lugares para fazer shows. Além disso, eles acabam gastando em beat, em vídeo, marketing, gravação, mas não têm retorno. Já vi grupos bons pararem por causa disso”, lamenta o produtor.

Prestigie o rap daqui !

Quer fortalecer a cultura hip-hop na região e no Estado? Prestigie os artistas locais! Tem muita gente talentosa fazendo música, e a gente listou só alguns deles aqui:

Ação Subsolo (Porto Alegre)

ANX (Novo Hamburgo)

Nazário (Novo Hamburgo)

Nícolas Walter (Porto Alegre)

Posmaninho (Novo Hamburgo)

Rafuagi (Sapucaia)

ZudiZilla (Pelotas)