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Jogos de tabuleiro mantêm tradição de diversão off-line

Como os títulos modernos reinventam o hobby do passado.
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05.04 2018

Lends Club. Chega a ser estranho pensar que, diante da evolução gigantesca dos videogames e da realidade virtual, pessoas ainda tenham o costume de se reunir ao redor de uma mesa para jogar jogos de tabuleiro. E não é pouca gente! Os jogos de tabuleiro estão de volta e tiveram um salto de popularidade e qualidade no Brasil nos últimos anos. Isso, em grande parte, se deve ao ressurgimento do hobby ao redor do mundo. “Hoje, temos a expressão ‘jogos modernos’ para definir muito do que foi produzido depois de Colonizadores de Catan (Die Siedler von Catan), lançado na Alemanha, em 1995. Ele foi um marco que inspirou vários designers de jogos”, explica Wyllian Hossein, fundador da Lends Club, um clube de jogos de tabuleiro de Porto Alegre que abriu recentemente sua primeira franquia em Santa Maria (na foto acima). Depois de Catan, jogos similares, como Carcassone e Agrícola, começaram a surgir na Alemanha e aos poucos conquistaram o mundo.

Se nos jogos mais clássicos o jogador rolava dados e movia peões, nos modernos ele precisa usar um leque muito maior de estratégias para vencer: “São jogos mais elaborados, com mecânicas inteligentes.” Além disso, os jogos prezam por um elemento chamado ‘rejogabilidade’, a capacidade que um jogo tem de ser disputado várias vezes e, mesmo assim, proporcionar partidas diferentes.

E o Brasil, como fica na história? Os brasileiros estão acostumados com os clássicos War, Banco Imobiliário, Detetive e o Jogo da Vida, que são considerados jogos de ‘entrada’, ou seja, jogos com regras mais simples, destinados a introduzir as pessoas no hobby. “Foi em 2013 que os jogos modernos ganharam força no Brasil”, conta Wyllian. Na época, uma empresa chamada Galápagos fez uma campanha de financiamento coletivo para trazer o jogo Zombicide para cá. Sucesso absoluto no exterior, ele também agradou muito aos brasileiros, e o faz até hoje. A partir daí, começaram a surgir empresas e autores independentes, seja trazendo jogos do exterior, seja publicando seus títulos próprios. “No início dessa fase, saía, mais ou menos, um jogo por mês no Brasil. Para termos uma ideia de como evoluiu, no ano passado, foram lançados mais de 100 títulos por aqui”, explica Wyllian.

Ao redor da mesa

Jogos de tabuleiro são uma experiência de grupo. A gente precisa de pessoas pra jogar, salvo algumas exceções – sim, existem jogos de tabuleiro para se jogar sozinho, mas isso é outra história! “Há algumas décadas, pensamos que estaríamos em um futuro ultratecnológico, mas, hoje, existe um costume de se consumir coisas ‘antigas’”, reflete Wyllian. Podemos dizer que o mesmo que se faz com os discos de vinil – que voltaram e são vendidos em versões modernizadas, com aparelhos de melhor qualidade, mas sem perder a essência – ocorre com os jogos de tabuleiro.

Esse retorno do jogo analógico acaba proporcionando experiências sociais muito ricas. “Aqui na Lends, a gente tem esse costume de misturar as pessoas. O jogo é um tipo de contato diferente e mostra muito sobre a personalidade de uma pessoa. Muita gente que joga aqui e tinha problemas de interação social acabou se desenvolvendo”, afirma.

Tabuleiro. Também tem tecnologia!

Uma das novidades desse retorno dos jogos de tabuleiro é a possibilidade do uso da tecnologia como companheira. É crescente o número de títulos que usam aplicativos durante a partida. Um bom exemplo é XCOM, jogo baseado na franquia de games (do tipo eletrônico!). Nele (na foto ao lado) os jogadores trabalham em conjunto para repelir uma invasão alienígena. No jogo, o aplicativo mostra os desafios que os jogadores deverão superar, e tudo acontece em tempo real. Outro exemplo é o jogo Descent. Nele os jogadores são heróis que precisam explorar calabouços e cavernas, combater monstros e coletar tesouros. O jogo tem um aplicativo que controla os monstros e armadilhas.

Cultura pop

Jogos de tabuleiro usam muitos elementos da cultura pop como inspiração, um prato cheio para quem gosta de cinema, séries, quadrinhos e videogames. Uns exemplos:

Tabuleiro. Game of Thrones – Baseado na série de livros de George R.R. Martin. O jogo (na foto) captura o clima de tensão da saga.

Star Wars Destiny – Jogo de cartas e dados ambientado no universo Star Wars.

The Godfather – Jogo baseado no filme O Poderoso Chefão. Jogadores comandam famílias mafiosas.