Olá leitor, tudo bem?

Use os ícones abaixo para compartilhar o conteúdo.
#CINEMA

Tem gente daqui trabalhando em Thor: Ragnarok!

Leopoldense Marcus Duprat é artista de efeitos visuais.
Publicidade
curtiu? compartilhe
08.09 2017

Thor Ragnarok “Cinema é aquela menina que tu ama de paixão e ela te trata como lixo”, essa visão não muito otimista é do leopoldense Marcus Duprat, 31 anos, hoje morando em Londres e trabalhando nos efeitos visuais de Thor: Ragnarok, novo filme da Marvel. O longo caminho até a terra da rainha começou com os dinossauros de Jurassic Park. “Lembro de ter assistido a um making of do filme. Aquilo me impressionou muito”, recorda.

Na prática, o início foi ainda na escola. “Meu primeiro trabalho foi no Ensino Médio. “A Feevale tinha um projeto chamado Cine Machado (hoje Outros Olhares), em que os alunos tinham que gravar um curta. Na época, eu e meus colegas passávamos a tarde toda gravando filmes trash depois da aula pra aprender o básico de cinema e efeitos. No final, nosso curta ficou melhor que os da produtora que havia sido chamada para fazer o material dos outros alunos, e nos próximos anos os professores resolveram nos contratar. Com a grana, a gente conseguiu comprar luz, câmera. Foi uma das melhores épocas da minha vida.”

Saindo do Ensino Médio, Marcus fez o Curso de Realização Audiovisual da Unisinos (Crav).“Depois de me formar, eu fui para Londres, em 2008, para tentar trabalhar com filmes. No fim, fiquei dois anos trabalhando em bares e lavando pratos. Cheguei a participar de dois curtas, de graça, mas foi só”, conta Marcus. De volta ao Brasil – com tempo livre – ele começou a explorar o YouTube: “Comecei a assistir a canais de curtas-metragens e efeitos especiais, aí me liguei que no YouTube eu não precisaria de uma produtora para me contratar, poderia fazer tudo sozinho ou com alguns amigos.” E assim nasceu o canal Trash Uncompressed, criado com os mesmos amigos da época do CineMachado. “Eu não sabia nada de efeitos especiais, mas botei na cabeça que lançaria um vídeo por semana com efeitos. Com o tempo, fui aprendendo o básico e melhorando a qualidade dos vídeos.” O quarteto – sob o nome de TRS Filmes – chegou a lançar uma série inspirada pelo game GTA.

Thor Ragnarok “A primeira tentativa vai ser muito pior do que tu imaginas. O negócio é fazer vários, sem ser muito precioso, pois com o tempo tu vais ficar bom. Por isso, acho que fazer um vídeo por semana me ajudou muito. No YouTube, eu estava trabalhando sem ganhar muito e sem previsão de melhorar, tinha uns 27 anos e ainda morava com minha mãe. Chega uma hora que o cara quer sair de casa de qualquer jeito”, conta. Nessa época, ele começou a trabalhar em uma produtora e, sem tempo para o YouTube, procurou fazer um curso on-line de efeitos especiais: “É possível aprender 3D com tutoriais, mas o problema é o tempo que leva. Nesse curso, eu tinha um mentor que gravava vídeos falando o que eu tinha feito certo ou errado.”

Depois do curso, Marcus decidiu que queria se aperfeiçoar na área de efeitos visuais (VFX). Encontrou um curso com bolsa na Dinamarca e foi ao mundo. “Não pediram passaporte nem nada. Nada de burocracia. Fui morrendo de medo que fosse alguém querendo roubar meu rim!”, conta. No fim, deu tudo certo, e ele fez um intensivo de quatro meses com outros sete colegas. “Aprendi muito mesmo e tentei sugar o máximo que os professores tinham para me ensinar.”

Após terminar o curso na Dinamarca, Marcus resolveu voltar para Londres, que tem um ótimo mercado para artistas de VFX. “Peguei uma lista de todas as produtoras daqui e me candidatei. Tive uma entrevista uma semana depois, que não foi muito boa. Eu resolvi ligar para o cara todos os dias, até que ele me chamou como freelancer”, conta. Foram cinco semanas de trabalho, e, depois disso, a Framestore o chamou para uma entrevista. “Fui trabalhar no setor de comerciais para TV. Depois de uns três meses, o projeto que eu estava tocando atrasou, então, pra eu não ficar fazendo nada, me passaram para o departamento de filmes. Foi assim que eu caí, meio de paraquedas, no Thor: Ragnarok. Sempre tive o sonho de fazer um vídeo com um milhão de views. No fim, foi mais fácil trabalhar no filme do Thor do que bater essa meta!”

E aí, quer entrar no mercado do audiovisual?

Como está o mercado para quem quer fazer cinema? “Mesmo no meio de toda essa crise, o mercado está crescendo. Abrange TV, cinema e mídias digitais, além de games”, explica a professora do Curso de Realização Audiovisual da Unisinos Jéssica Luz. O mercado, afirma ela, é muito amplo, e o bom profissional pode atuar na produção de filmes, séries, no jornalismo, na criação de videoclipes e programas de televisão, por exemplo.

Thor Ragnarok Como no caso de Marcus, várias oportunidades estão no exterior. “O Canadá é muito forte em animação e games, os Estados Unidos em filmes e novas mídias, e a Europa sempre é uma possibilidade, pois vários países de lá participam de um acordo de cooperação para produção em parceria com o Brasil”, explica Jéssica. Para Marcus, o importante é ter paciência: “Se tu achas legal a ideia fazer de cinema, talvez não seja para ti, mas se tu gostas muito, mas muito mesmo, a dica que tenho é persistência. Muita gente quer fazer o primeiro curta e já sair em festival internacional e ser conhecido mundialmente. Até pode acontecer, mas, pra maioria, o negócio é fazer vários que não sairão perfeitos e com o tempo ir melhorando. O negócio é fazer, ver que tá ruim e não se deprimir, continuar tentando. Um dia vai melhorar.”

Já foi notícia!

Em 2012, Marcus e seus colegas da Trash Uncompressed foram notícia no caderno Bah!, do Grupo Sinos. Na época, rolou uma entrevista em vídeo com os caras e no meio do papo, aliens acabaram invadindo o local e rolou um tiroteio com a participação do então repórter Marcelo Collar. Tudo verdade.