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#MODA

As oportunidades e as armadilhas da moda

Estilista Ronaldo Fraga dá dicas para quem pretende entrar no mercado.
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10.08 2017

Ronaldo Fraga. Na era dos digital influencers, o mercado da moda tem atraído cada vez mais seguidores, ansiosos para criarem suas próprias roupas, acessórios e desfiles. A profissão, no entanto, engloba muito mais do que uma análise inicial revela. Para saber mais sobre as possibilidades, armadilhas e particularidades desse mercado, o Bombô conversou com o estilista Ronaldo Fraga, que esteve nesta terça-feira em Novo Hamburgo durante o Fashion Meeting Lançamentos.

“O brasileiro tem gosto por moda, tem fascínio por moda”, explica Ronaldo. Apesar disso, o mercado nacional está passando por um dos momentos de maior dificuldade da história, garante ele: “O Brasil é o País com o maior número de faculdades de moda do mundo, e o mercado não tem como absorver a quantidade de estilistas que são formados todos os anos, principalmente se esse profissional tiver como paixão só aquela ponta do iceberg, que é o glamour, o desfile em uma grande semana de moda. Isso é legítimo, mas a profissão é muito mais ampla.”

Ronaldo destaca também que, apesar da crise, é possível crescer, pois o mercado precisa de bons profissionais em todas as frentes: “Precisamos de bons modelistas, de bons gestores e empreendedores de moda, por exemplo.”

"Vou criar minha marca!"

Quem pensa em moda como profissão provavelmente já teve a ideia de criar sua própria empresa, certo? Ronaldo Fraga recomenda cautela nesse momento. “Hoje a maioria dos estilistas sai da faculdade querendo construir sua marca”, garante Ronaldo. O conselho dele é: não faça isso. Faça moda para outras marcas primeiro.

“Trabalhe em uma marca infantil, mesmo que você queira fazer adulto, vá em uma marca de noiva, de masculino. Alimente esse repertório técnico antes de você partir para uma marca própria”, recomenda. A justificativa dele é que o mercado não tem mais tempo para o erro: “Se você errou, sai que o próximo já está vindo. É claro que eu acho importante empreender, eu mesmo tenho esse perfil, mas trabalhei muito tempo para os outros antes de empreender.”

On-line

“Os blogs entraram na moda. É a cara do nosso tempo, mas é como as revistas de moda dos anos 80, muitas não se sustentaram. Essa coisa do ‘blog de certo e errado’, por exemplo, já dá sinais de desgaste. Essa coisa da blogueira ‘olha o que eu vesti, olha como ficou lindo, comprem’, também tem um monte de gente fazendo. Tente trazer outras coisas, algo muito mais ligado ao lifestyle, ao estilo de vida, que fale alguma coisa sobre isso e que a roupa venha junto”, recomenda o estilista.

A importância do "vai e faz"

“Tem uma coisa que me incomoda: sempre uma geração que vem acha que ela inventou a roda, mas sabe muito pouco sobre a história da moda no Brasil. Tem uma história da estilista mineira Zuzu Angel, que pouca gente sabe: Um dia, na época da ditadura, ela foi romper com o sócio dela, que era militar, e teve o ateliê interditado. Ela ia fazer um desfile fora do país na semana seguinte. Zuzu correu para o Centro da cidade, no Rio de Janeiro, comprou tecidos de cortinas, lençóis, toalhas de mesa e fez uma coleção ela mesma, na máquina de costura que tinha em casa. Esse pegar e fazer, de entender de todo o processo, de dar a volta por cima, é muito importante.”