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Quer ser um YouTuber? Pergunte-nos como!

Temos dicas para quem está a fim de criar um canal na rede
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27.07 2017

Matheus Jucinsky. O YouTube é a nova TV. Da receita de bolo ao gameplay comentado de LoL, bastam dois ou três cliques pra encontrar algo massa para assistir, sem horário marcado e sem intervalos – quase sem. E o melhor, ele está aberto para quem quiser produzir seus próprios programas, clipes, entrevistas e documentários. Hoje o Bombô é pra quem gosta de vídeo e está querendo criar ou já criou um canal próprio.

A história do hamburguense Matheus Jucinsky (na foto) com a produção de vídeos começou cedo. “Eu sempre gostei de cinema. Não só de ver os filmes, mas de saber como eram feitos. Quando era criança, eu perguntava para a minha mãe como as novelas eram feitas, como um personagem tinha morrido, por exemplo. Eu achava que colocavam um robô no lugar do ator!”, conta ele. Aos 10 anos de idade, Matheus ganhou um celular com câmera. Aí a coisa mudou: “Eu e um amigo fazíamos mini curtas com o celular. Tentávamos inventar efeitos especiais e entender melhor como a coisa funcionava.” Isso foi em 2007. Hoje, com 20 anos, Matheus tem mais de 320 mil inscritos no Projeto Corneta, canal do YouTube que administra ao lado da namorada, Andressa Marques.

O Projeto Corneta nasceu de uma tentativa que não deu muito certo: em 2011, Matheus chamou os amigos para criar um canal, influenciado pelos nomes que despontavam na cena de produção de conteúdo em vídeo no país, como PC Siqueira, Cauê Moura e Kéfera Buchmann. “Fizemos um vídeo criticando algumas coisas na nossa escola. Aí deu problema. Pediram pra que a gente tirasse o canal do ar”, explica. Desanimados com a repercussão negativa, os amigos acabaram desistindo.

Mais tarde, em 2012, Matheus resolveu tentar novamente, dessa vez inspirado por canais como o Porta dos Fundos e o Parafernália, que criavam pequenos esquetes com histórias e roteiros mais bem definidos. “Trabalhar com esquetes foi algo que me deu muita experiência. É mais difícil do que só falar para a câmera”, explica Matheus. Então ele reuniu, novamente, os mesmos amigos de antes e juntos eles iniciaram o Projeto Corneta. “Hoje o canal está muito diferente”, conta: “Paramos de fazer os esquetes e focamos em cinema, desenhos e séries, com entrevistas e curiosidades.”

Dificuldades da largada

Então, você quer ser YouTuber? Quer milhares de visualizações, fãs, dinheiro e fama? Não é assim que a Força funciona, Finn. Para Matheus, pelo menos, o crescimento foi lento e gradual, e o início foi a parte mais difícil. “Logo no começo, o mais difícil foi a falta de apoio de pessoas próximas. Falavam ‘isso é besteira’, ou ‘coisa de vagabundo.’ Aqueles haters iniciais foram um obstáculo difícil”, comenta.

O contato aberto e irrestrito com a Internet ainda traria outras surpresas. Uma delas veio com o personagem Minecrafteiro. Natural do Acre, o personagem é um jogador de minecraft que relata dificuldades de morar no cantinho mais ao Oeste do Brasil. “O problema foi que esse vídeo chegou ao Acre. Aí o pessoal começou a xingar muito. Até ameaça de morte eu recebi’, conta Matheus: “Cheguei a aparecer em um jornal de lá. Depois gravei um pedido de desculpas.”

Para Abel Henrique, de Sapiranga, do canal Abel Joga, a principal dificuldade foi entender o funcionamento do próprio YouTube. “Queria saber como as pessoas encontrariam meus vídeos, o que está em alta, qual o tamanho de vídeo usar, onde divulgar”, explica: “O YouTube é uma plataforma em constante mudança e demora um bom tempo até que você consiga dominá-la e usá-la a seu favor.”

Os maiores

Quem são os maiores canais do Brasil? Na batalha do YouTube a gente vai medir a força pelo número de inscritos. Seu vídeo pode até viralizar e lhe render milhões de acessos, mas o público fiel se mede pelo número de pessoas que curtiu seu canal a ponto de clicar no mágico botão “Inscrever-se”. Vamos à lista:

No primeiro lugar - já esperado - está Whindersson Nunes, com 21.643.944 inscritos, em segundo temos o produtor de funk Kondzilla, com 16.403.488, o Canal Canalha, com 13.380.282, vem em terceiro e na quarta posição está o grupo Porta dos Fundos, com 13.317.280. O quinto maior é Rezendevil com 12.223.123 inscritos.

Para gravar melhor

“Não deixe sua falta de equipamento te limitar.” Essa é a primeira regra do YouTuber, segundo Matheus: “No início, eu fazia vídeos com um celular, e depois pedia câmera emprestada pra produzir material para o Projeto Corneta.” Ele conta, ainda, que só foi comprar uma câmera, microfone e iluminação próprios depois de manter o canal por dois anos. No início, o segredo é usar o que você tiver, e pode, sim, celular. Uma dica é usar dois aparelhos: um para captar o vídeo e outro para ficar mais perto de você e pegar só o áudio.

A luz também é muito importante. Se você não tiver uma iluminação adequada, tente gravar durante o dia e ficar próximo de uma janela. Só tem que trabalhar rápido, pois o sol se movimenta e a luz muda! Como tudo na vida, o segredo é o estudo e a prática. No próprio YouTube – veja você – há vídeos com infinitas dicas e técnicas que podem garantir uma melhor qualidade de som e imagem para seus vídeos. Outra dica importante é definir bem o roteiro. “O pessoal que vai te ver precisa acreditar em você”, frisa Matheus. Assim, o importante é entender bem daquilo que você vai falar. Muita gente busca informação no YouTube, então você precisa conhecer essa informação para passar a elas.

Rei do YouTube

O nome é Felix Arvid Ulf Kjellberg. Conhecido pelo canal PewDiePie, o sueco de 27 anos é o usuário com maior número de inscritos no YouTube. São 56.478.477 usuários, e é só dar um F5 na para ver o número crescer. As estimativas são de que ele arrecade até R$ 45 milhões por ano só com a renda de seus vídeos, que têm conteúdos de humor e games.

Entrevista

Renata Tomaz é jornalista e defendeu recentemente uma tese de doutorado sobre o fenômeno dos YouTubers mirins. Conversamos com ela para conseguir mais algumas dicas sobre o que fazer e o que não fazer na rede. Olha só:

Qual a importância da delimitação de um tema para o canal? É mais vantajoso definir temas específicos, ou canais mais gerais também têm espaço?

Os canais mais bem-sucedidos costumam se concentrar em determinados assuntos, diretamente ligados ao interesse do youtuber e ao feedback dos demais usuários. No entanto, existe uma tendência de aderir a temáticas que tenham mais repercussão em dado momento, como os vídeos de imitação.

Quais as dicas que você daria para aquela divulgação inicial, depois do primeiro vídeo?

Minha pesquisa mostrou que o uso de outras redes sociais on-line é fundamental para a promoção dos vídeos. Os links e acessos distribuídos no Snapchat, no Facebook ou no Instagram, por exemplo, ampliam o alcance dos youtubers. 

Quais as dicas para conseguir mais inscritos? E o que não fazer?

É preciso haver constância nos envios dos vídeos. Não precisa ser todos os dias, mas é necessário manter a periodicidade. Os youtubers mais bem-sucedidos são insistentes nos vídeos, ao pedirem que os usuários se inscrevam em seus canais, além de criarem meios de envolver os usuários, solicitando sua opinião diante de alguns assuntos. 

E a monetização de vídeos? É possível ganhar dinheiro com YouTube?

Os processos de monetização têm sofrido alterações com o aumento do número de candidatos a youtubers famosos. A peneira, contudo, é muito rigorosa e, como acontece em inúmeras áreas de exposição midiática, poucos chegam ao nível de viver apenas da prática de youtubing. Há uma ilusão quanto à democratização do uso que se faz das mídias sociais.

Qual os YouTubers que você recomendaria como inspiração para os jovens que estão começando?

Não recomendaria alguém, mas sugeriria estudar o meio, observando canais bem-sucedidos (tema, periodicidade, tempo do vídeo, linguagem, comentário dos usuários etc.). É fundamental aprender com a engrenagem funciona.